Mais uma vez o vento levou para longe o ar que não consigo viver sem...
Foi-se meu fôlego sem nem ao menos olhar para trás, sem dizer uma palavra de amor sequer.
Esvaziou meus pulmões, encheu-me de dor: tentei trazê-lo de volta pra mim e era como se afundasse em lodo profundo, quis gritar e sufocava mais e mais.
Alguns conseguem ficar horas sem respirar; eu não consigo nem sequer por um segundo!
Volta, sopra novamente, e traga vida para esses ossos secos, Senhor!
Passou por mim tal vento e girou minha bússola 180 degrees...
E agora estou perdida e só, com apenas alguns minutos de vida.
Encha-me novamente, ó ar da minha vida, e faça-me sentir viva novamente.
Não te demores em outras terras, porque sem você todo dia é noite, e toda noite é trevas.
Já não como, não bebo, não fumo, não rio, nem deságuo, pois levaste tudo quando passastes por mim!
Até minhas águas salgadas se secaram já, e nem elas mais me saciam. Só tenho estas pedras em formas de palavras que formam meu sepulcro e meu consolo.
Sei que sopras segundo sua própria vontade, ó vento,
Só tu sabes para onde vai.
Mas lembre-se que sou Tua, e quero ser conduzida até seus lugares secretos.
E aqui, sentada, já nem as águas levam tudo que quero ver partir,
Apenas essa brisa que um dia me tocou suavemente
Esqueceu-se de despedir-se com gostinho de quero mais.
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