quarta-feira, 17 de julho de 2013

Conto das Mil Faces (Am I Free?) - Parte 4

Acordo quase caindo da minha cama. Que sonhos doidos ando tendo!
Decido levantar e ir ao banheiro, será difícil voltar a dormir depois de tantas coisas. De frente para o espelho me encaro e vejo como perdi parte do brilho que tinha antes. Tanta coisa dando errada, tantas frustrações e dores de cabeça, quase não conseguia dormir nas últimas noites. Estou piorando e não encontro o que fazer pra mudar isso. Estou desfalecendo, sou uma explosão de sensações. Tantas emoções de uma vez só estão me enlouquecendo. E o homem, que tanto amo, está tão distante agora! Por que me viciou a esse ponto e depois me larga como um cão abandonado?
Se um dia morrer e acordar, igual aos sonhos que tive, terei certeza de que ainda serei a mesma. Todas são facetas de mim, são máscaras que eu penduro e uso a todo instante. Eu sou um mosaico humano, sou música, sou canção solta no ar... e espero te encontrar mais uma vez, com esse mesmo gostinho de saudade...




“Eu estava no inverno de minha vida – e os homens que conheci pela estrada foram meu único verão. À noite caía no sono com visões de mim mesma dançando, rindo e chorando com eles. Três anos estando em uma turnê mundial sem fim e minhas memórias deles eram as únicas coisas que me sustentavam, e meus únicos momentos felizes de verdade. Eu era uma cantora, não muito popular, que uma vez teve sonhos de se tornar uma bela poeta – mas por uma infeliz série de eventos viu aqueles sonhos riscados e divididos como um milhão de estrelas no céu da noite, que desejei de novo e de novo – brilhantes e quebradas. Mas eu não me importava porque sabia que era necessário conseguir tudo que você sempre quis e então perder para saber o que liberdade realmente é.
Quando as pessoas que eu conhecia descobriram o que estive fazendo, como eu tinha vivido – me perguntaram o porquê. Mas não há utilidade em falar com pessoas que tem um lar. Eles não sabem o que é procurar segurança em outras pessoas, já que lar é onde você descansa sua cabeça.
Sempre fui uma garota incomum, minha mãe me disse que eu tinha uma alma de camaleão. Sem senso de moral apontando para o norte, sem personalidade fixa. Apenas uma indecisão interior tão extensa e tão ondulante quanto o oceano. E se eu disser que não planejei para que tudo fosse desse jeito, estaria mentindo – porque nasci para ser a outra mulher. Pertenci a ninguém – que pertenceu a todo mundo, que não teve nada – que quis tudo com uma vontade por cada experiência e uma obsessão por liberdade que me aterrorizava a ponto de não poder sequer falar sobre tudo – e me levou a um ponto de loucura que tanto me deslumbrava quanto me deixava tonta.
Toda noite eu costumava rezar para que pudesse encontrar meu povo – e finalmente encontrei – na estrada aberta. Não tínhamos nada a perder, nada a ganhar, nada que desejávamos mais – exceto fazer de nossas vidas uma obra de arte.
VIVA RÁPIDO. MORRA JOVEM. SEJA SELVAGEM. E SE DIVIRTA
Eu acredito no país que a América costumava ser. Acredito na pessoa que quero me tornar, acredito na liberdade da Estrada aberta. E meu lema é o mesmo de sempre.
*Acredito na gentileza de estranhos. E quando estou em guerra comigo mesma – dirijo. Apenas dirijo.*
Quem é você? Você está em contato com todas as suas fantasias mais sombrias?
Você criou uma vida para si mesma onde é livre para experimentá-la?
Eu criei.
Sou maluca pra caralho. Mas pelo menos sou livre...”


 (*) Qualquer dia desses eu continuo os contos dessa seção.

Nenhum comentário:

Postar um comentário